Jun 9, 2026 |
Eswatini vai investir na Área de Conservação Transfronteiriça de Lubombo que integra territórios dedicados à conservação também em Moçambique e na África do Sul.
A iniciativa, lançada em Mbabane, prevê a criação de uma reserva consolidada para os Big Five numa área de aproximadamente 87 mil hectares, na região de Lubombo. O projecto insere-se na Área de Conservação Transfronteiriça de Lubombo.
Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o investimento total ascende a 48 milhões de dólares para os próximos cinco anos. Desse montante, 5,23 milhões de dólares correspondem a uma subvenção do Fundo Global para o Ambiente (GEF, na sigla em inglês), enquanto o remanescente será assegurado através de co-financiamento do Governo de Eswatini, do PNUD, de instituições de conservação, de parceiros privados e de outros intervenientes.
De acordo com a Gateway, o projecto tem como objectivos reforçar a conservação da biodiversidade, apoiar o desenvolvimento do turismo e melhorar os meios de subsistência das comunidades da região. Entre os principais desafios identificados estão a degradação dos ecossistemas, a fragmentação de habitats, a presença de espécies invasoras, as pressões climáticas e os níveis de pobreza nas comunidades vizinhas.
Na apresentação da iniciativa, a ministra do Turismo e dos Assuntos Ambientais de Eswatini, Jane Mkhonta-Simelane, afirmou que “esta iniciativa representa um momento decisivo no percurso de Eswatini rumo a um futuro sustentável, em que a conservação da biodiversidade e o desenvolvimento comunitário caminham lado a lado”. “Não se trata apenas de proteger a vida selvagem, mas também de garantir que a conservação se torne um motor de prosperidade”, acrescentou.
A representante-residente adjunta do PNUD em Eswatini, Nessie Golakai-Gould, disse que a implementação do projecto exigirá conciliar prioridades ambientais e necessidades das populações locais: “este é um projecto ambicioso e complexo que exige equilibrar as prioridades da conservação com os meios de subsistência, o desenvolvimento do turismo, as pressões do pastoreio, as realidades do acesso à terra e as expectativas das comunidades”, afirmou.
O projecto será implementado pelo Ministério do Turismo e dos Assuntos Ambientais de Eswatini, com o PNUD a actuar como agência do Fundo Global para o Ambiente, responsável pela supervisão, coordenação e apoio à execução.
A Área de Conservação Transfronteiriça de Lubombo abrange 4.195 quilómetros quadrados, dos quais 66 por cento estão em Moçambique, 26 por cento na África do Sul e 8 por cento em Eswatini. Situada entre as montanhas Lebombo e o Oceano Índico, esta zona liga áreas de conservação dos três países e combina fauna bravia, zonas húmidas e áreas costeiras de elevado valor ecológico.
No lado moçambicano, destaca-se a Reserva Especial de Maputo, no extremo sul do país, ligada ao Parque de Elefantes de Tembe, na África do Sul, e à Lubombo Conservancy, em Eswatini. Este corredor ecológico é considerado estratégico para a conservação da biodiversidade e para a protecção de uma das principais populações de elefantes da costa oriental africana.
No âmbito desta cooperação regional, a Área de Conservação Transfronteiriça Lubombo Conservancy-Goba constitui um projecto conjunto entre Moçambique e Eswatini, assente nos acordos dos Peace Parks, assinados a 22 de Junho de 2000. Esta componente transfronteiriça integra, do lado moçambicano, a Goba Conservancy e as terras comunitárias de Goba, e, do lado de Eswatini, a Reserva de Caça de Mlawula, o Parque Nacional Real de Hlane, a Reserva de Caça de Mbuluzi (propriedade privada), o Rancho de Nkhalashane (propriedade estatal) e a Reserva Natural Comunitária de Shewula.
Está ainda previsto que esta área venha a ser integrada, no futuro, na Grande Área de Conservação Transfronteiriça de Lubombo, reforçando a conectividade ecológica entre os diferentes territórios e consolidando uma visão regional de conservação, turismo sustentável e desenvolvimento comunitário.
Foto: DR




