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Áreas de conservação moçambicanas receberam mais de 1.400 animais selvagens da África do Sul

Jul 16, 2024 | Moçambique recebeu mais de 1.400 animais translocados da África do Sul nos últimos anos, incluindo elefantes, leões e rinocerontes, numa iniciativa que visa repovoar os parques nacionais e áreas de conservação do País, severamente afectados por anos de guerra civil e caça furtiva. O número foi comunicado pela Ministra da Terra e do Ambiente, Ivete Maibaze, em Maputo, como reportou a Agência Lusa. De acordo com Ivete Maibaze, “notamos com satisfação o envolvimento faunístico das áreas de conservação com a translocação de 1.416 de animais provenientes da vizinha África do Sul”. Entre os animais translocados estão também outros animais de grande porte e carismáticos como hienas, leopardos e búfalos, contribuindo para a diversidade biológica das reservas moçambicanas. Um dos destaques desta operação é o Parque Nacional do Zinave, localizado na província de Inhambane, distrito de Mabote. Este parque tornou-se o único no país a albergar os ‘big five’ terrestres: elefante, leão, leopardo, búfalo e rinoceronte. A Ministra sublinhou a importância desta conquista para a conservação da vida selvagem em Moçambique. “”Este exercício exigiu do setor a adoção de medidas para garantir a integridade dos animais e de todo o património natural. Assim, estabelecemos o centro de coordenação de operações contra a caça furtiva no distrito de Mabote e privilegiámos a monitoria telemétrica do movimento dos animais através de 40 colares”, acrescentou Ivete Maibaze. Além das ações de translocação, o combate à caça furtiva tem sido uma prioridade para o governo moçambicano. A Ministra revelou que 21 pessoas envolvidas em práticas de caça furtiva foram recentemente sentenciadas a “penas exemplares”, reforçando o compromisso do país em proteger a sua biodiversidade. Segundo dados do Ministério da Terra e do Ambiente, Moçambique possui 12 parques nacionais e áreas protegidas, que abrigam 5.500 espécies de flora e 4.271 espécies de vida selvagem terrestre. A translocação de animais da África do Sul representa um passo significativo na recuperação e conservação dos ecossistemas moçambicanos. A revitalização dos parques nacionais e áreas de conservação de Moçambique não só beneficia a biodiversidade local, mas também promove o ecoturismo, criando novas oportunidades económicas e reforçando a importância da preservação ambiental para o desenvolvimento sustentável do país. Foto: Translocação de 12 chitas para o Delta do Zambeze realizado pela Cabela Foundation Foto e Vídeo: Peace Parks Founation

ANAC estreia filme de animação sobre áreas de conservação para festejar 13º aniversário

Mai 28, 2024 | A Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC) lançou uma “banda desenhada” dedicada à consciencialização sobre os parques e reservas de Moçambique. A estreia, realizada após a participação do Director-Geral da ANAC, Pejulu Calenga, no Telejornal do Canal Internacional da Televisão de Moçambique, foi seguida pela exibição durante um jogo de futebol no canal principal da TVM. A banda desenhada, produzida e editada pela FX Estúdios de Animação – Moçambique, visa segundo a ANAC educar e sensibilizar o público para a importância das áreas de conservação no país. A iniciativa faz parte das comemorações do 13º aniversário da ANAC, instituição criada em 2011 para gerir cerca de 26% do território nacional, que é coberto por áreas de conservação. Desde sua criação, a ANAC tem-se dedicado a diversos projectos e actividades para assegurar a gestão efetiva dessas áreas, incluindo: Formação e capacitação de recursos humanos, Estabelecimento de Conselhos de Gestão, Atracção de investimentos e implantação de infraestruturas de gestão, Incremento da fiscalização e criação de mecanismos para mitigar o conflito entre humanos e fauna bravia e Reintrodução de espécies da fauna bravia. Os marcos mais importantes incluem a reforma do quadro legal com novos instrumentos normativos, expansão da rede de áreas de conservação, e o repovoamento da fauna com mais de 7.778 animais translocados, incluindo elefantes, búfalos e rinocerontes. A ANAC também reportou uma receita acumulada de mais de 574 milhões de meticais provenientes do turismo nas áreas de conservação entre 2015 e 2023. A estreia da banda desenhada é um marco importante para a ANAC, que continua a enfrentar desafios na melhoria da gestão das áreas de conservação, combate à caça furtiva e comércio ilegal de produtos da vida selvagem, garantindo a sustentabilidade financeira e promovendo a coexistência entre as comunidades locais e a fauna bravia. De acordo com a ANAC, “é uma forma que encontramos para passarmos os conteúdos através de vídeo de animação.” Financiado pelo Projecto MozBio, Banco Mundial, o vídeo de animação foi produzido e editado pela FX Estúdios de Animação – Moçambique. Imagem e vídeo: ANAC

Estudo confirma que elefantes beneficiam se áreas protegidas estiverem conectadas

Jan 31, 2024 | As medidas de conservação implementadas um pouco por todo o continente conseguiram deter o declínio da população de elefantes africanos, mas o padrão varia localmente, de acordo com um novo estudo. Segundo uma equipa internacional de investigação a evidência sugere que a solução de longo prazo para a sobrevivência dos elefantes requer não apenas áreas protegidas, mas também a sua ligação para permitir que as populações se estabilizem naturalmente. O estudo, que inclui dados relativos a Moçambique, publicado na revista científica Science Advances, recolheu estimativas de inquéritos e calculou taxas de crescimento para mais de 100 populações de elefantes na África Austral entre 1995 e 2020, representando cerca de 70% da população global de elefantes. “Esta é a análise mais abrangente das taxas de crescimento para qualquer população de grandes mamíferos no mundo”, disse o coautor Rob Guldemond, director da Conservation Ecological Research Unit (CERU) na Universidade de Pretória, da África do Sul. Globalmente, os resultados do inquérito são positivos: há agora o mesmo número de elefantes que há 25 anos, uma vitória rara na conservação num momento em que o planeta perde rapidamente biodiversidade. No entanto, o padrão não é consistente em todas as regiões. Algumas áreas, como o sul da Tanzânia, leste da Zâmbia e norte do Zimbabué, registaram declínios acentuados devido à caça furtiva de marfim ilegal. Em contraste, populações noutras regiões, como o norte do Botswana, estão em crescimento. “O crescimento descontrolado não é necessariamente uma coisa boa”, diz o coautor Stuart Pimm, Professor Doris Duke de Conservação na Universidade Duke, na Carolina do Norte. “Populações em crescimento rápido podem ultrapassar e danificar o seu ambiente local e revelar-se difíceis de gerir – representando uma ameaça para a sua estabilidade a longo prazo”, acrescenta Pimm. Além de documentar as taxas de crescimento locais, a equipa analisou as características das populações locais para identificar o que as torna estáveis, ou seja, que não estão a crescer nem a diminuir. Populações de elefantes em parques bem protegidos, mas isolados, por vezes chamados de “conservação de fortaleza”, crescem rapidamente na ausência de ameaças, mas são insustentáveis a longo prazo. Estes elefantes provavelmente precisarão de intervenções futuras de conservação, como translocação ou controlo de natalidade, que são empreendimentos caros e intensivos. A equipa descobriu que as populações mais estáveis ocorrem em grandes áreas centrais rodeadas por zonas de buffer. As áreas centrais são definidas pelos seus elevados níveis de proteção ambiental e impacto humano mínimo, enquanto as zonas de buffer permitem algumas actividades, como agricultura sustentável, silvicultura ou caça desportiva. Ao contrário das fortalezas insulares, as áreas centrais estão ligadas a outros parques, permitindo que as manadas se movam naturalmente. “O crucial é que é necessário uma mistura de áreas com populações centrais mais estáveis ligadas a áreas de buffer mais variáveis”, disse o autor principal Ryan Huang, um doutorado pela Universidade Duke agora a fazer pesquisa pós-doutoral na CERU. “Estes buffers absorvem imigrantes quando as populações centrais ficam muito altas, mas também fornecem rotas de fuga quando os elefantes enfrentam más condições ambientais ou outras ameaças, como a caça furtiva”, disse Huang. A ligação de áreas protegidas significa que os elefantes podem mover-se livremente. Isso permite que ocorra um equilíbrio natural sem intervenção humana, poupando aos conservacionistas o uso dos seus recursos limitados para manter o equilíbrio. Foto: WCS Mapa: Eurekalert

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