Set 8, 2026 |
Moçambique avaçou para a criação de uma nova área de conservação comunitária para proteger o ecossistema único de Monte Mabu, na Zambézia, gerida por comunidades locais.
Segundo a ReGeCom, organização não governamental que acompanhou o processo, a criação da nova área resulta de um diploma assinado pelo Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas que abrange os postos administrativos de Tacuane e Muabanama, no distrito de Lugela.
A nova área irá proteger 9 341 hectares de floresta tropical de média altitude, um dos últimos grandes remanescentes deste tipo de ecossistema na África Austral e habitat fundamental para milhares de pessoas que vivem no seu entorno.
De acordo com a Biofund, fundação moçambicana que integra o programa PROMOVE Biodiversidade, financiado pela União Europeia, a floresta situa-se a cerca de 1700 metros de altitude e a gestão da área ficará a cargo da associação local CONSERVAMABU, com apoio técnico de um consórcio que junta a WWF Moçambique, a ReGeCom e a RADEZA, sob coordenação da Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC).
Na mesma nota, a ReGeCom sublinha que “as comunidades locais não são simples beneficiárias da conservação, são guardiãs e responsáveis pelo capital natural do qual dependem os seus meios de subsistência e o seu futuro”.
A organização acrescenta que este reconhecimento legal marca o início de uma nova fase de trabalho, com o objectivo de transformar o estatuto jurídico da área em restauro florestal efectivo e em oportunidades económicas para as comunidades, num esforço que contou com o apoio do Governo moçambicano, da Direcção Nacional de Florestas e Fauna Bravia, dos governos distrital de Lugela e provincial da Zambézia, e de parceiros como a Rainforest Trust, principal financiadora do projecto.

Fotos: Tony Jolliffe/BBC




