Fev 10, 2026 |
Moçambique deu início a uma nova métrica para quantificar impactos de projectos de conservação relacionados com o elefante africano.
O Programa COMBO+ promoveu, em Moçambique, a primeira sessão de trabalho de Validação da Métrica para o Elefante Africano, um passo destinado a consolidar ferramentas técnicas capazes de medir, com maior rigor, perdas e ganhos de biodiversidade associados a iniciativas de desenvolvimento.
A criação desta métrica ganha particular relevância num contexto de aumento de pressões associadas ao desenvolvimento, perda e fragmentação de habitats e conflitos entre pessoas e fauna bravia. O elefante africano está classificado como “Em Perigo” na Lista Vermelha da IUCN e encontra-se protegido pela CITES, convenção internacional que regula o comércio de espécies ameaçadas.
Segundo a informação apresentada no encontro, a intenção é que a métrica apoie não só a leitura do impacto, mas também a definição de contrabalanços mais eficazes, com metas e critérios de cálculo claros.
O processo é liderado pelo Dr. Valério Macandza, especialista em ecologia e conservação da vida selvagem, que apresentou a base científica, a metodologia e os critérios usados para calcular a métrica.
A sessão foi organizada no quadro de uma parceria entre a Wildlife Conservation Society (WCS), a Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND) e o Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas (MAAP), por intermédio da Direcção Nacional do Ambiente e Mudanças Climáticas (DINAMC). No encontro participaram cerca de 45 pessoas, entre académicos, consultores ambientais, promotores de projectos e especialistas nacionais e internacionais, incluindo membros do Grupo de Especialistas em Elefantes Africanos da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).
De acordo com a BIOFUND, a iniciativa insere-se nos esforços do país para compatibilizar crescimento económico e protecção do património natural, em linha com a hierarquia de mitigação e com o Diploma Ministerial n.º 55/2022, de 19 de Maio, que enquadra a implementação de contrabalanços de biodiversidade em Moçambique.
O objectivo central da sessão de trabalho foi apresentar e recolher contributos sobre o quadro conceptual e metodológico da métrica dedicada ao elefante africano, espécie considerada prioritária para a conservação no país. A ferramenta pretende ajudar a transformar avaliações de impacto em decisões mais consistentes, sobretudo quando se discutem medidas de evitar, minimizar, restaurar e compensar danos sobre a biodiversidade.
Esta é a quinta métrica de biodiversidade desenvolvida no âmbito do COMBO+, depois de instrumentos semelhantes para recifes de coral, florestas de miombo, mangais e ervas marinhas. A ambição declarada é reforçar a aplicação dos princípios de Não Perda Líquida ou Ganho Líquido de biodiversidade, criando referência técnica para processos de licenciamento e planeamento.
No final do encontro, o Governo e os parceiros sublinharam que a iniciativa pretende apoiar soluções técnicas inovadoras, capazes de orientar um desenvolvimento mais equilibrado e salvaguardar uma das espécies mais emblemáticas de Moçambique.
Foto: Brian’s Wildlife Photography




