Fev 3, 2026 |
A Mozambique Wildlife Alliance (MWA) reforçou a protecção de rinocerontes através da remoção de cornos durante o ano passado além de ter reforçado a resposta a conflitos da fauna bravia com comunidades humanas.
De acordo com a ONG moçambicana, ao longo de 2025 foram realizadas pelas equipas de conservação um total de 36 remoções de cornos de rinocerontes nas áreas do sul do país.
A remoção estratégica de cornos de rinoceronte é realizada em zonas consideradas de elevado risco para a caça furtiva. Este tipo de operação insere-se num esforço regional de reforço da segurança destes animais. A remoção do corno é uma medida eficaz mas temporária. Após a sedação do animal, o corno é retirado de forma controlada e segura, mas volta a crescer ao longo de vários anos.
Embora esta prática diminua significativamente o interesse dos caçadores furtivos, não elimina totalmente o risco, uma vez que o valor do corno está associado ao seu peso e não apenas ao comprimento. Assim, mesmo um corno parcialmente regenerado pode tornar o rinoceronte novamente vulnerável, sobretudo tendo em conta a capacidade de adaptação dos grupos criminosos, que tendem a explorar qualquer oportunidade disponível.
Segundo a organização, no ano passado foram colocados 104 colares de monitorização em animais selvagens, uma ferramenta essencial para acompanhar movimentos, reduzir riscos e apoiar decisões de gestão. O relatório da MWA refere ainda 39 translocações, operações destinadas a proteger espécies ameaçadas e a reduzir pressões sobre áreas sensíveis.
A mitigação de conflitos entre pessoas e fauna bravia foi uma das áreas centrais da actuação. A organização registou 106 conflitos reportados e 61 avistamentos de animais, tendo realizado 82 respostas operacionais no terreno. Destas intervenções, 69 foram consideradas bem-sucedidas, o que corresponde a uma taxa de sucesso de 84%, reflectindo, segundo a própria ONG, uma capacidade de resposta consistente e uma cobertura territorial eficaz.
No domínio da resposta a impactos causados por acção humana, a equipa da MWA tratou oito casos de ferimentos infligidos a animais, ao mesmo tempo que reforçou a vertente de saúde pública e animal através da vacinação de 554 cães e 11 gatos contra a raiva.
Em 2025, as equipas especializadas da MWA percorreram quase 72 mil quilómetros e mobilizaram 356 ferramentas de mitigação durante respostas activas, além de terem conduzido 18 patrulhas. No seu conjunto, os dados apontam para um esforço continuado no reforço da coexistência entre comunidades humanas e vida selvagem, num contexto marcado por desafios crescentes à conservação em Moçambique.
Foto: MWA




