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Kambaku

Projecto de monitorização do Bazaruto esclarece sobre etiquetagem de Dugongos

Jul 29, 2025 |

A African Parks veio a público esclarecer que os dispositivos utilizados na marcação por satélite de dugongos no Parque Nacional do Arquipélago de Bazaruto não se enredam e portanto não criam impactos negativos nos animais “tagados”

O esclarecimento, surgiu na sequência de várias reacções em Moçambique e não só, com algumas preocupações levantadas sobre esta técnica de monitorização. Em resposta, os responsáveis pelo projecto decidiram prestar esclarecimentos, sublinhando que o bem-estar dos animais é sempre a prioridade máxima em qualquer iniciativa de monitorização da vida selvagem.

Como explica a African Parks, o sistema utilizado nesta operação foi concebido por peritos australianos, com vasta experiência no estudo de dugongos. Uma equipa da James Cook University, sediada no estado de Queensland, deslocou-se a Moçambique para supervisionar a instalação dos dispositivos e formar os técnicos locais do Parque Nacional.

Ao contrário de golfinhos, por exemplo, os dugongos não possuem barbatana dorsal, o que exige uma abordagem diferente na fixação das etiquetas. O modelo adoptado envolve um cinto com fivela colocado cuidadosamente à volta da cauda do animal, ao qual está preso um emissor flutuante, ligado por um cabo de 1,5 metros. Esta configuração permite que o transmissor permaneça à superfície mesmo quando o dugongo se encontra a alimentar-se em águas pouco profundas, ricas em ervas marinhas.

A African Parks considera importante também destacar que a estrutura foi desenhada com vários mecanismos de segurança. Existe uma ligação frágil entre o cabo e o cinto, que se parte facilmente caso o dispositivo fique preso em vegetação ou outros obstáculos. Além disso, o próprio cinto integra um componente que se corrói naturalmente ao fim de 8 a 10 meses, permitindo que todo o sistema se solte do animal sem necessidade de intervenção humana.

Com apenas 1,5 kg, o emissor representa um peso insignificante para um dugongo adulto, que pode atingir os 500 kg, não interferindo de forma relevante com os seus movimentos naturais. Após a libertação, o transmissor continua a flutuar e a emitir sinais de localização, facilitando a sua recuperação — muitas vezes acaba por dar à costa numa praia local.

Este modelo de etiqueta permite acompanhar quase em tempo real os deslocamentos dos dugongos, contribuindo para um conhecimento mais aprofundado sobre as ameaças que enfrentam estas populações em declínio. Além de Moçambique, existem grupos remanescentes desta espécie em locais como Madagáscar, Seychelles e o Mar Vermelho.

O projecto também está atento ao impacto ambiental dos dispositivos. A possibilidade de os emissores se soltarem autonomamente e de serem recuperados ajuda a prevenir a poluição marinha, outro aspecto fundamental considerado durante todo o processo.

Por fim, uma curiosidade para os que observaram atentamente os vídeos partilhados: os peixes que se vêem junto aos dugongos são rémoras — animais que usam ventosas para se fixarem a criaturas maiores, beneficiando do transporte, dos restos de comida e do fluxo de água que lhes permite respirar.

Foto: African Parks

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