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Moçambique com presença crescente em maior feira de turismo baseado na natureza de Durban

Mai 20, 2024 | A Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC) liderou a presença de Moçambique na maior Feira Internacional de Turismo de África, a INDABA, realizada em Durban, com o objectivo principal de promover o turismo baseado na natureza e destacar as oportunidades de investimentos nas áreas de conservação do país. A presença da ANAC na feira teve como objectivo apresentar o vasto potencial turístico das áreas de conservação de Moçambique, como destinos de ecoturismo de classe mundial. Durante o evento, a ANAC foi representada pelo Parque Nacional de Maputo e pelo Parque Nacional do Arquipélago de Bazaruto, que são exemplos emblemáticos da rica biodiversidade e das oportunidades de turismo sustentável que o país oferece. De acordo com a ANAC, mais de 20 operadores do sector de turismo de Moçambique marcaram presença no INDABA, reforçando a representação do país no evento. A delegação moçambicana foi liderada pela Embaixadora de Moçambique na República da África do Sul, Maria Manuela Lucas, sublinhando a importância da cooperação bilateral e da promoção do turismo como um motor de desenvolvimento económico e conservação ambiental. O INDABA deste ano contou com a participação de cerca de 1.245 expositores de 26 países africanos, demonstrando um crescimento de 14% em comparação ao ano anterior. O evento atraiu aproximadamente 1,1 mil compradores internacionais de 55 países, interessados em explorar e investir nos diversos destinos turísticos que o continente africano tem a oferecer. A participação da ANAC e dos operadores turísticos moçambicanos na feira proporcionou uma plataforma vital para estabelecer novas parcerias, atrair investimentos e promover Moçambique como um destino de ecoturismo de excelência. O evento também permitiu a troca de experiências e conhecimentos com outros países africanos, reforçando o compromisso de Moçambique com a conservação ambiental e o desenvolvimento sustentável do turismo. Com uma presença significativa no INDABA, Moçambique continua a consolidar sua posição no cenário internacional de turismo, destacando-se pela sua oferta única de experiências baseadas na natureza e pelo seu compromisso com a preservação dos seus recursos naturais para as futuras gerações. Foto: ANAC

African Parks reforça programa de marcação de tartarugas no Bazaruto

Abr 23, 2024 | A equipa de conservação do Parque Nacional do Arquipélago de Bazaruto voltou ao terreno para a marcação de tartarugas com transmissores para estudar a forma como estes animais se movem nos oceanos relativamente às áreas de pesca. A captura de tartarugas em redes de pesca é um dos principais tipos de conflito entre humanos e vida selvagem na área protegida. Esta prática é prejudicial de várias formas. Segundo a African Parks, os pescadores precisam de retirar até 20 tartarugas de uma única rede – uma tarefa exaustiva considerando que uma única tartaruga verde pode pesar até 150 kg. Além disso, as redes são destruídas no processo, e os animais podem morrer afogados se não forem liberados rapidamente. Em colaboração com pescadores locais, a equipe do Parque Nacional do Arquipélago de Bazaruto marcou as três espécies de tartarugas mais frequentes – tartarugas verdes (chelonia mydas), algumas tartarugas-cabeçudas (caretta caretta) e uma tartaruga-de-pente (eretmochelys imbricata). Foram marcadas mais de 40 tartarugas no total, utilizando uma combinação de etiquetas de satélite, acústicas e de barbatana. Como explica a ONG “embora pareçam um pouco volumosas, estas etiquetas garantem uma interferência mínima nos comportamentos naturais das tartarugas. São fixadas de forma segura com epóxi, fibra de vidro e massa de aço e fornecem informações pormenorizadas de curto prazo (etiquetas de satélite), bem como sinais de uma década (etiquetas acústicas e de barbatanas), que ajudam a traçar um quadro pormenorizado dos habitats e comportamentos das tartarugas e, em última análise, informam as decisões de gestão”, explica. O Parque Nacional do Arquipélago do Bazaruto foi a primeira área de conservação marinha criada em Moçambique, em 1971. Localiza-se ao longo da costa dos distritos de Vilankulo e Inhassoro, na província de Inhambane, abrangendo as ilhas de Bazaruto, Benguerra, Magaruque, Santa Carolina e Bangué. O Parque Nacional do Arquipélago de Bazaruto é o único lugar conhecido no oeste do Oceano Índico onde todas as cinco espécies de tartarugas residentes na região fazem ninhos. A African Parks gere o Arquipélago de Bazaruto em parceria com o Governo de Moçambique desde 2017. O Bazaruto é o primeiro parque marinho a ser gerido pela African Parks. Abrange uma área de 1.430 km² de paisagem marítima produtiva, conectada por uma cadeia de cinco ilhas e alberga a maior população viável de dugongos da costa oriental de África. Fotos e Vídeos: African Parks

BCSS recolheu e estudou 1.500 kg de detritos marinhos durante um ano em Benguerra

Abr 23, 2024 | O Bazaruto Center for Scientific Studies (BCSS) passou um ano a recolher e a classificar dados extensivos sobre os detritos marinhos encontrados nos ecossistemas costeiros da Ilha de Benguerra. Segundo reporta num relatório agora publicado, como parte do Tema de Investigação 4 do Observatório Oceânico: Monitorização de Detritos Marinhos, durante 42 recolhas, um total de 125 horas foram dedicadas à remoção de detritos marinhos, resultando em mais de 1500 kg recolhidos. As cinco áreas designadas para este estudo abrangeram vários hectares de praia, sapais, prados de ervas marinhas e habitat de mangue. Estes habitats estão crucialmente ligados ao oceano, seja as florestas de mangue que fornecem abrigo para espécies de peixes juvenis e protegem as aldeias de tempestades, ou os prados de ervas marinhas que fornecem excelentes condições de vida para inúmeras espécies de crustáceos e peixes e abastecem a última população viável de dugongos de África com alimento. Estes ecossistemas também são habitats eficientes na sequestro de carbono – armazenando carbono azul para que não acabe por ir para a atmosfera. Em 2023, o BCSS firmou um memorando de entendimento com a Universal Plastic, uma organização com o objectivo de fechar o ciclo da poluição por plástico, aproveitando a tecnologia de IA e blockchain para rastrear as origens dos detritos de plástico, enquanto fornece uma poderosa base de dados global. A equipa BCSS insere todos os detritos de plástico marinho recolhidos na base de dados da Universal Plastic usando o seu aplicativo. A app pode ser utilizada para capturar dados sobre resíduos de plástico, medições e classificação de IA, iniciar recolhas de resíduos ou juntar-se a recolhas já programadas. A app pode ser usada para capturar dados sobre resíduos plásticos, medição e classificação de IA, partilhar a experiência social, iniciar uma recolha de resíduos e convidar outros a juntarem-se e juntar-se a recolhas de resíduos já programadas. O programa de monitorização de detritos marinhos é uma iniciativa colaborativa entre a BCSS e o Parque Nacional do Arquipélago de Bazaruto na Ilha de Benguerra. Levantamentos acumulativos mensais em locais de estudo pré-determinados refletem a principal abordagem de recolha de dados. A informação adquirida ajuda a esclarecer como os detritos entram e se acumulam nos diferentes ecossistemas da Ilha de Benguerra (Mangue, Ervas Marinhas, Sapais e Praia de Areia), permitindo uma melhor compreensão e ligação do problema da poluição por resíduos às atividades socioeconómicas e comunitárias locais, bem como aos seus impulsionadores ambientais. Para garantir a consistência na recolha de dados, os levantamentos são realizados por um grupo treinado de inquiridores que incluem: a equipa de limpeza de praia do BANP, funcionários da BCSS, estudantes e estagiários. Todos os detritos recolhidos são removidos da ilha e enviados para o continente de Moçambique para reciclagem. A colaboração entre BCSS e Universal Plastic permite a qualquer pessoa que queira fazer parte da mudança desempenhar um papel importante na melhor compreensão do problema da poluição, contribuindo com dados valiosos e ajudando a combater este problema global. Foto: BCSS

BCSS divulga imagens da presença de Tubarão Zebra no Bazaruto

Abr 16, 2024 | A equipa de cientistas da Bazaruto Center for Scientific Studies (BCSS) detectou a presença de Tubarão Zebra nos mares do Arquipélago de Bazaruto. O encontro da equipa da BCSS com esta espécie permitiu a recolha de informações importantes sobre o seu comportamento e preferências de habitat. Embora algumas regiões de Moçambique sejam hotspots que abrigam grandes populações de tubarões-zebra, como é o caso do Tofo, pouco se sabe sobre a presença desta espécie nas águas do cenário marinho de Bazaruto. Segundo conta a BCSS, os cientistas encontraram um exemplar a descansar no fundo de areia do mar ao largo do Bazaruto tendo o raro encontro sido registado em vídeo (ver filme em baixo). Pertencente ao grupo dos tubarões de carpete (nome inspirado pela aparência marmoreada que se assemelha a desenhos ornamentais de tapetes), o Tubarão Zebra é uma espécie enigmática, conhecida pela sua aparência marcante. Historicamente conhecido como Stegostoma fasciatum, o Tubarão Zebra passou por uma revisão taxonómica em 2019, utilizando marcadores mitocondriais para reclassificar a espécie como Stegostoma tigrinum. Esta revisão revelou duas morfologias distintas: a morfologia listrada de zebra e uma nova morfologia de cor arenosa. Essas morfologias exibem diferenças significativas nos padrões de coloração externa em várias fases da vida, desde juvenis até adultos. Os juvenis do Tubarão Zebra possuem listas amarelas verticais, lembrando seu homónimo, a zebra. Esta coloração serve como camuflagem imitando a aparência de serpentes marinhas e dissuadindo potenciais predadores. À medida que os tubarões amadurecem, essas listas transformam-se gradualmente num padrão de manchas escuras semelhante ao leopardo. Esta mudança ontogenética na coloração é uma adaptação, reflectindo mudanças nos seus papéis e interacções ecológicas dentro do seu ambiente marinho. Caçadores noturnos, alimentam-se de caranguejos, camarões e peixes pequenos, utilizando os seus corpos e caudas longas para se mover em busca de presas. Foto: Frame do video da BCSS

Operação confisca e devolve ao oceano 220 kg de Pepinos-do-Mar no Bazaruto

Abr 2, 2024 | Uma acção da African Parks e da ANAC confiscou uma enorme quantidade de Pepinos-do-Mar, espécie próxima às Estrelas do Mar, que tinham como destino o mercado ilegal de animais selvagens. Uns impressionantes 220 kg destes animais foram depois devolvidos ao oceano no Arquipélago do Bazaruto. Os Pepinos-do-Mar, que foram confiscados nas águas do Parque Nacional do Arquipélago de Bazaruto nos meses de Janeiro e Fevereiro, como conta a African Parks, desempenham um papel fundamental na estabilização dos ecossistemas marinhos, alimentando-se ao longo do fundo do oceano e filtrando poluentes da água. Apesar de serem parentes das Estrelas-do-Mar, estes invertebrados muitas vezes são subestimados no seu papel ecológico vital. Estes animais marinhos são principalmente comercializados para países da Ásia, onde há uma demanda crescente, onde são vistos como uma iguaria culinária ou onde são consumidos para fins medicinais. No Parque Nacional do Arquipélago de Bazaruto, gerido pela African Parks em parceria com a Administração Nacional de Áreas de Conservação (ANAC) desde 2017, a conservação das espécies marinhas é uma prioridade. O parque é um dos santuários marinhos mais importantes ao longo da costa leste da África, abrigando uma variedade de habitats críticos para muitas espécies raras e endémicas. Destaca-se que o Arquipélago de Bazaruto é o único lugar conhecido no oeste do Oceano Índico onde todas as cinco espécies de tartarugas residentes na região fazem os seus ninhos. Além disso, é o lar da última população viável de dugongo do leste africano, uma espécie ameaçada. Entre os habitantes marinhos do parque, estão pelo menos quatro espécies de pepinos-do-mar, todas elas protegidas. Fotos: African Parks

Yale Scientific destaca estudo feito pelo Bazaruto Center for Scientific Studies

Mar 26, 2024 | A revista Yale Scientific Magazine, a mais antiga revista universitária dos Estados Unidos, publicou recentemente um artigo do sobre um estudo liderado por Mario Lebrato, gerente de estação e cientista chefe do Bazaruto Center for Scientific Studies (BCSS). O estudo aborda a química da água do mar e a variabilidade encontrada em sua composição elemental, contestando uma suposição de 130 anos no conhecimento oceânico. O artigo desta revista científica faz referência à sua pesquisa e no qual Mario Lebrato comenta sobre o processo de estudo enquanto é entrevistado pela Yale Scientific, explicando o que inspirou o projecto e como o artigo foi elaborado, como conta o BCSS. O artigo original, intitulado ‘Variabilidade global nas razões de Mg:Ca e Sr:Ca na água do mar moderna’ (tradução do original: ‘Global variability in seawater Mg:Ca and Sr:Ca ratios in the modern ocean’”, desafia a estabilidade elemental do oceano e a linha do tempo do desenvolvimento oceânico, que foi amplamente aceite pela comunidade científica por mais de cem anos. Este trabalho é o resultado de um estudo de nove anos liderado pela Universidade de Kiel, na Alemanha, e pelo Centro de Pesquisa Oceânica GEOMAR Helmholtz, para o qual o BCSS contribuiu significativamente. O estudo inclui análise de 1100 amostras de 14 ecossistemas diferentes, variando da superfície da água a 6000 metros de profundidade, coletadas em 79 expedições de navios. Actualmente, o BCSS está a realiza um projecto de amostra de água do mar como parte do Observatório Oceânico, onde a amostragem é realizada semanalmente com o objectivo de entender como as razões de Mg:Ca e Sr:Ca da água do mar mudam nos recifes de coral e nas águas offshore, mês a mês. Há um interesse particular em decompor os padrões globais em séries temporais, de forma a investigar o impacto dos ecossistemas na própria água do mar em escalas de tempo menores. Além de colectar água do mar, corais e invertebrados estão a ser amostrados para medir o carbonato de cálcio do esqueleto e as razões de Mg:Ca, Sr:Ca e Ba:Ca da aragonita para associar a água do mar com o processo de calcificação. Actualmente, não há informações em escala regional e local sobre como a água do mar flutua em composição, porque sempre se assumiu que a maioria dos elementos permanece conservadora. No entanto, devido à variabilidade da descoberta publicada, o BSCC está a reavaliar esta noção considerando condições locais, bem como os principais factores nos ecossistemas. Foto: Yale Scientific

Transformação de lixo em tijolos garante empregos a ilhéus e limpa ecossistemas do Bazaruto

Mar 19, 2024 | Um grupo de mulheres do Bazaruto está a liderar um movimento de conservação usando lixo de plástico e de vidro para fabricar blocos de tijolo ou pavimento que, além de um sustento económico, está a contribuir para a limpeza e para preservar a biodiversidade de toda a região marinha. Basisa Bazaruto, que significa ‘Bazaruto limpa’, foi iniciada para capacitar as mulheres daquela comunidade a enfrentar o problema excessivo de lixo nas ilhas habitadas do Parque Nacional do Arquipélago de Bazaruto. O parque abrange um arquipélago que inclui as cinco ilhas de Bazaruto, Benguerra, Santa Carolina, Magaruque e Banque. Três dessas ilhas, nomeadamente Bazaruto, Benguerra e Magaruque, são habitadas por cerca de 6.850 pessoas, de acordo com o levantamento de 2022. De acordo com a Forbes India, a Basisa emprega 63 moçambicanos, dos quais 53 são habitantes das ilhas. Trabalhando por 8 horas, há 50 colectores nas ilhas. Destes, 46 são mulheres que nunca tinham trabalhado em tempo integral antes ou eram pescadoras ou perderam os seus empregos durante a pandemia. Os objectivos duplos de capacitação das mulheres e fornecimento de uma fonte alternativa de renda para as mulheres nas ilhas estão a ser alcançados por esta iniciativa. As mulheres recolhem o lixo que é arrastado para a costa de outros países, de lojas e de cidadãos locais. Cada coleccionador enche cinco sacos e leva-os para o seu respectivo centro de segregação de resíduos onde o lixo é segregado em papel, metal, tecido, vidro e plástico. Os resíduos são descarregados e transportados para a fábrica sendo o lixo posteriormente separado entre o que pode ser usado na fábrica e o que será enviado para reciclagem para Sombra Matsinhe, que é o parceiro do Parque Nacional. Fauzia Vilanculos e Judite Huo, coleccionadoras de lixo na ilha de Benguerra usam com orgulho o seu uniforme de camisetas, que têm ‘Parque Nacional do Arquipélago de Bazaruto’ gravado nelas. Uma saia colorida completa o seu visual. “Estou fazendo a diferença. Todo o processo de reciclagem é interessante. Nossas praias estão limpas, nossa vida marinha está mais segura e tenho uma fonte de sustento alternativa e igualdade de género”, diz Huo. Existem 10 pontos de colecta nas ilhas de Bazaruto, Benguerra e Magaruque. Relatórios diários da quantidade de lixo colectado em cada ilha são enviados para o continente. Desde o início da colecta de lixo em agosto de 2020, mais de 540 toneladas de lixo foram recolhidas e removidas do arquipélago. Projectos de conscientização comunitária são regularmente organizados pelos funcionários da Basisa. Isso ajudou a criar consciência entre os habitantes das ilhas sobre o que constitui lixo marinho e seus perigos. Dos pontos de colecta nas ilhas, o lixo segregado é levado para o continente, para a cidade de Vilanculos, na Província de Inhambane. O barco usado chama-se Lundo. Lundo na língua local refere-se ao peixe-papagaio, que é crucial para limpar algas dos corais construtores de recifes. O barco é tripulado por três pilotos. A fábrica de reciclagem está localizada em Vilanculos. As mulheres empregadas na fábrica desempenham papéis variados em vez de terem tarefas específicas atribuídas. A fábrica do Projecto Basisa usa vidro triturado e plástico duro numa mistura para produzir blocos de pavimentação. Esses blocos de pavimentação são usados no parque, criando uma pequena economia circular. O plástico duro chega à fábrica na forma de plástico cortado, que os catadores de lixo cortaram nas ilhas. O vidro é obtido de garrafas de vidro. O plástico é passado por uma máquina trituradora de plástico. Basisa Bazaruto adquiriu recentemente dois novos trituradores que aumentaram tremendamente a capacidade de fabricação. No triturador, o plástico é convertido em pedaços menores de plástico. O vidro é triturado em uma máquina de trituração de vidro e transformado em areia. A mistura para os pavimentos é feita deste plástico e vidro triturados, areia e um pouco de cimento e água. O Parque Nacional do Arquipélago de Bazaruto está sob uma parceria de co-gestão, entre a Administração Nacional de Áreas de Conservação (ANAC) e os Parques Africanos (AP). A Basisa Bazaruto foi apoiada pela Alliance to End Plastic Waste, uma organização não governamental destinada a melhorar a gestão de resíduos plásticos. O projecto também começou recentemente a receber apoio da Tui Care Foundation, sob seu Programa Tui Sea the Change. Fotos: African Parks/Forbes India/Khursheed Dinshaw

Investigadora moçambicana usa drones para salvar último reduto de Dugongos no Índico

Mar 5, 2024 | Outrora numerosos em toda a costa oriental de África, os pacíficos e majestosos Dugongos apenas podem ser encontrados em pequenas bolsas que pontuam este último refúgio e que tem no Arquipélago do Bazaruto e na Baía de Maputo alguns dos seus últimos habitats. É nestes ecossistemas frágeis que Dambia Cossa, uma investigadora moçambicana, está a surpreender o mundo da conservação com o seu inovador método de utilização de drones para localizar e preservar esta espécie em Moçambique. Tal como nos conta a Smithsonian, manter o controlo das populações desta espécie é surpreendentemente difícil. A África Oriental possui habitats costeiros extensos e, em tempos, pode ter abrigado dugongos em grande abundância. Contudo, o desenvolvimento costeiro e a poluição têm destruído os bancos de ervas marinhas, alimento primordial da espécie. A estas ameaças juntam-se ferramentas de pesca indiscriminadas, como redes de emalhar,  que prendem e afogam os dugongos. Com uma taxa reprodutiva de um filhote a cada três ou quatro anos, os dugongos são lentos a recuperar das perdas, e a população da África Oriental está agora criticamente ameaçada. O maior grupo restante é composto por cerca de 300 dugongos que vivem nas águas protegidas do Parque Nacional do Arquipélago de Bazaruto, em Moçambique. Grupos menores pontuam a costa, desde o sul da Somália até à Baía de Maputo, mas os levantamentos aéreos são muito caros para mapear regularmente estas populações dispersas. Os últimos levantamentos para avaliar a Baía de Maputo, no início dos anos 2000, relataram apenas um a quatro dugongos. De acordo com a mesma publicação, recentes avanços tecnológicos trouxeram uma oportunidade de recuperar a espécie: em 2020, Damboia Cossa, uma pesquisadora moçambicana da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, e na Universidade Eduardo Mondlane usou drones aéreos off-the-shelf para procurar não os dugongos, mas as trilhas alimentares distintas que deixam para trás. Ao longo de seis meses, fez 12 voos de drone na maré baixa, quando os bancos de ervas marinhas da Baía de Maputo são fáceis de fotografar. Para processar milhares de fotos, Cossa treinou um modelo de machine learning para identificar as trilhas alimentares. Em 2023, publicou boas notícias. “Vimos realmente muitas trilhas. Eles ainda estão a vir para este lugar – ainda comendo aquelas ervas marinhas.” Ainda não há um método confiável para converter o número de trilhas alimentares no número de dugongos, mas Dambia Cossa estima que até 10 ou até 20 dugongos agora pastam na Baía de Maputo. Infelizmente, segundo a investigadora constatou, os seus prados de ervas marinhas preferidos muitas vezes aproximam-nos perigosamente das redes de emalhar. Mas os detalhes desta sobreposição, acredita, podem ajudar a informar decisões de gestão da vida selvagem sobre quando e onde restringir a pesca. O seu plano agora é partilhar os seus dados com a comunidade local, conscientizando sobre os dugongos e convidando pescadores a participar de futuros levantamentos e descobrir práticas de pesca mais seguras: “vamos tentar salvar os poucos dugongos restantes.” Fotos: blog.rhinoafrica.com/researchgate.net/eduardoinfantes.com

Mar 3, 2024 | Dia Mundial da Vida Selvagem na Escola Primária de Chitchuete, no Parque Nacional do Arquipélago do Bazaruto

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