Abr 14, 2026 |
Uma exposição fotográfica inaugurada em Maputo marcou o décimo aniversário da iniciativa “Save Our Mangroves Now!” evidenciando a relação entre comunidades costeiras e os ecossistemas de mangal em todo o país.
Criada para inverter a degradação dos mangais no Oceano Índico Ocidental, a iniciativa “Save Our Mangroves Now!” (SOMN) tem contribuido, de acordo com os seus promotores, para reforçar a integração destes ecossistemas nas políticas nacionais de ambiente e clima, bem como para melhorar práticas de restauração e governação a diferentes níveis.
A mostra, que teve lugar no Hotel Cardoso, integrou as celebrações da primeira década do programa, reunindo representantes do Governo, organizações da sociedade civil, parceiros internacionais, academia e sector privado, num momento de balanço dos resultados alcançados e de definição de novas prioridades para a conservação dos mangais, de acordo com a IUCN Moçambique.
As imagens expostas retratam a diversidade dos mangais moçambicanos e o seu papel central na vida das populações locais, sublinhando a importância destes ecossistemas na protecção costeira, na conservação da biodiversidade e no sustento económico de milhares de famílias.
De acordo com a WWF Moçambique, os parceiros reiteraram o compromisso de continuar a investir na protecção dos mangais, reconhecendo o seu valor estratégico para a adaptação às alterações climáticas e para o desenvolvimento sustentável do país.
“Com o SOMN, não nos limitámos a restaurar mangais, plantámos esperança nas comunidades e nas gerações futuras” garantiu Augusto Nhampossa, Gestor de Projetos, Associação Natura.
Segundo Célia Macamo, docente e investigadora da Universidade Eduardo Mondlane, “este programa elevou o debate a nível nacional e regional, promovendo uma compreensão baseada na ciência do verdadeiro valor dos mangais, desde o social ao ecológico, ao mesmo tempo que reconhece as especificidades regionais para melhor informar a tomada de decisões.»
Ao longo de dez anos, o programa impulsionou o desenvolvimento de conhecimento científico, o reforço de capacidades locais e a criação de plataformas de coordenação entre diferentes actores, contribuindo para ecossistemas mais resilientes.
“Faço parte desta jornada há muitos anos e é verdadeiramente inspirador ver como o SOMN construiu um movimento poderoso em prol dos mangais. Criou espaço para que os defensores dos mangais se destacassem e posicionou Moçambique no mapa regional e global como líder na conservação dos mangais. A minha esperança é que este impulso continue a crescer, porque estaremos sempre aqui para elevar a voz dos mangais”, disse Denise Nicolau, Gestora Regional de Ecossistemas Costeiros e Oceânicos, IUCN ESARO.
“A SOMN foi uma grande inspiração para a gestão e conservação dos mangais em Moçambique e deu um contributo fundamental para a criação do Conselho Nacional de Gestão de Mangais, um pilar fundamental da primeira Estratégia Nacional de Mangais do país”, garantiu Dalila Sequeira, Responsável Sénior pela Área Marinha, WWF Moçambique.
“Hoje celebramos não só os resultados, mas também a energia, a dedicação e a resiliência de todas as pessoas e organizações que tornaram o SOMN possível. A WWF Moçambique reafirma o seu compromisso de continuar a apoiar a governação dos mangais, reforçando as capacidades locais, ampliando a restauração ecológica e garantindo que as comunidades e as organizações da sociedade civil permaneçam no centro desta agenda. Que esta celebração inspire a próxima década de ação, inovação e colaboração, para que os mangais de Moçambique continuem a prosperar e a proteger as gerações futuras” acrescentou Fidel O’Donovan, Diretor Nacional da WWF-Moçambique.
Durante o evento, especialistas destacaram ainda a necessidade de reforçar o envolvimento das comunidades, assegurar financiamento sustentável e explorar mecanismos como os mercados de carbono para ampliar o impacto das acções de conservação.
Fotos: IUCN Moçambique/WWF Moçambique



Fotos: IUCN Moçambique/WWF Moçambique




