Mai 26, 2026 |
A African Parks marcou 13 tartarugas marinhas, elevando para 40 os espécimes, que têm emissores colocados no Arquipélago de Bazaruto para estudar deslocações e zonas críticas de sobrevivência.
A mais recente missão de marcação decorreu no início de Maio, no Parque Nacional do Arquipélago de Bazaruto, juntando a equipa marinha da African Parks, especialistas em tartarugas e pescadores locais na marcação de animais encontrados presos em redes de pesca.
O trabalho pretende compreender como as tartarugas atravessam águas intensamente pescadas, para onde se deslocam entre épocas de nidificação e quais são os habitats mais importantes para a sua sobrevivência.
O programa foi iniciado em 2023 e para além da missão que acrescentou 13 novos indivíduos ao conjunto de dados, foram 27 os exemplares que já tinham sido marcados nos anos anteriores.
Segundo a African Parks, poucos lugares no mundo acolhem a nidificação de cinco espécies diferentes de tartarugas marinhas. O Parque Nacional do Arquipélago de Bazaruto é um desses locais e o único conhecido no oeste do Oceano Índico onde já foi registada a nidificação da tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea), tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta), tartaruga-verde (Chelonia mydas), tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea) e tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata).
A missão centrou-se em animais capturados acidentalmente em redes de pesca de cerco, um dos conflitos mais recorrentes entre fauna marinha e actividade pesqueira no parque. Uma única rede pode prender várias tartarugas ao mesmo tempo, colocando os animais sob forte stress e criando dificuldades para os pescadores.
A operação contou com o apoio da especialista em tartarugas Jess Williams, da bióloga marinha Stephanie Venables, da Akashinga, e de Andy Coetzee, que já marcou mais de mil tartarugas em diferentes regiões do mundo. Durante a missão, pescadores locais alertaram a equipa sempre que eram encontradas tartarugas nas redes.
O processo de marcação inclui avaliação do estado de saúde, medição, identificação do sexo e da idade aproximada, limpeza do casco e colocação do transmissor. Se bem aplicado, o equipamento pode permanecer fixo durante mais de um ano. Em Bazaruto, o período mais longo de funcionamento de uma marca foi de 13 meses.
Além das marcas por satélite, os investigadores usam também marcas metálicas nas barbatanas e fotografias das escamas faciais para permitir a identificação individual dos animais ao longo do tempo.
A missão deste ano incluiu ainda a marcação de sete tartarugas-de-pente, espécie criticamente ameaçada, observada em recifes protegidos do parque e ainda pouco conhecida no ecossistema de Bazaruto.
Os dados recolhidos deverão ajudar a reforçar a conservação marinha ao longo da costa moçambicana e a orientar medidas de protecção para espécies que partilham o espaço marinho com comunidades dependentes da pesca para alimentação e rendimento.




Fotos e vídeo: African Parks




