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Kambaku

Programa de reprodução de chitas prepara novas reintroduções em Moçambique

Mar 3, 2026 |

O programa que está a aumentar o número de chitas criadas em cativeiro para posterior libertação Cheetah Range Expansion Project vai reforçar reintroduções em Moçambique após êxitos em Tete ou Grande Limpopo.

Este programa continental de conservação da chita, hoje conhecido como Cheetah Range Expansion Project, que sucedeu ao Projecto de Metapopulação lançado em 2011 pelo Endangered Wildlife Trust, prepara uma nova vaga de translocações para Moçambique, de acordo com a Discover Wildlife.

A estratégia assenta na gestão coordenada de pequenas populações em diferentes reservas, com monitorização genética e movimentos planeados de animais para garantir diversidade e resiliência da espécie.

Moçambique surge como uma prioridade, juntamente com regiões da Zâmbia, após reintroduções já realizadas em áreas-chave. Em Moçambique, numerosas iniciativas já tiveram lugar como em 2021, doze chitas foram translocadas para o Delta do Zambeze e noutros pontos do país, marcando o regresso destes felinos ao país pela primeira vez desde os anos 1960.

Mais recentemente, o Panyame Cheetah Project em parceria com a The Metapopulation Initiative e outras organizações viu a translocação de 16 chitas desde reservas sul-africanas para a Panyame Conservancy, uma área de conservação sem vedações onde os indivíduos libertados estão a adaptar-se e a prosperar na natureza.

Estes projectos-piloto demonstraram que, com preparação do habitat, controlo de conflitos com comunidades locais e acompanhamento pós-libertação, os chitas conseguem readaptar-se e estabelecer territórios.

Outras chegadas estão, assim, planeadas, completando um dos maiores esforços de reintrodução já feitos no continente. A próxima fase prevê reforços populacionais com indivíduos provenientes de reservas sul-africanas, incluindo animais nascidos em cativeiro e preparados em centros de aclimatação antes da libertação.

O objectivo é acelerar a formação de núcleos reprodutores em paisagens extensas e, a médio prazo, reduzir a necessidade de novas translocações, tornando as populações moçambicanas auto-sustentáveis.

A coordenação no terreno envolve parceiros como a The Metapopulation Initiative e a Ashia Cheetah Conservation, em articulação com as autoridades moçambicanas. Entre as medidas previstas contam-se a expansão da monitorização por colares de GPS, a gestão de presas e a criação de protocolos rápidos para responder a incidentes com gado, de modo a proteger os animais libertados e reduzir perdas.

Moçambique poderá tornar-se um eixo estruturante da conectividade regional, ligando esforços no sul de África a iniciativas em países vizinhos. Num cenário de habitats cada vez mais fragmentados por vedações e infra-estruturas, a abordagem de metapopulação continuará a promover a dispersão natural da chita, assegurando fluxo genético entre áreas e amortecendo impactos locais de doença ou predação.

O projecto global de metapopulação já permitiu restabelecer populações em vários países vizinhos, como no Parque Nacional de Li­wonde no Malawi e reservas na Zâmbia, replicando distintas fases de translocação e monitorização genética para garantir que os grupos libertados se mantêm saudáveis e viáveis a longo prazo. Em Moçambique, além das diferentes áreas protegidas públicas e privadas o programa tem sido operacionalizado por organizações como a Mozambique Wildlife Alliance, a Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC) ou a Peace Parks Foundation em parceria com a Endangered Wildlife Trust.

Foto: Endangered Wildlife Trust

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